Nome na lista

Vamos começar com um pequeno exercicio?
Faça ai mentalmente e rapidinho uma lista com as 5 coisas que você mais ama na vida. Eu espero. Vai lá!

Tá bom, agora me diz aí em que colocação aparece seu nome? Ou melhor, ele aparece na sua lista?
Parece um detalhe simples, mas fiz esse exercício uma vez e ele me impactou pela sutileza e ao mesmo tempo força da reflexão. Colocamos tudo na frente de nós mesmos, em nome de um altruísmo equívocado, ou de uma fuga, ou numa tentativa de sermos aceitos esquecemos diariamente da pessoa mais importante de nossas vidas: nós mesmos.
Não é possível amar plenamente alguém se você não se amar plenamente.

Muita gente vai discordar dessa afirmação, mas o que vejo em minha jornada de estudos e da vida é que se priorizo o outro em detrimento de mim mesmo, eu construo relações doentias, que não tem mais definido o espaço do outro e o meu, onde ele começa e eu termino.
Porque meus sonhos e projetos podem ser pra depois? Porque eles não tem importância? Porque me diminuo em nome dos que amo, mas ainda sim me sinto incompleta?
Quando não mais me reconheço no que vivo, estou vivendo a existência de quem? E esse outro que decidi tomar o lugar também vivi?
Precisamos retomar nosso caminho de a
amor próprio, é uma questão de autopreservação.

Eu sei que parece clichê dizer que “Você precisa se amar primeiro”, mas sempre ouvi de uma professora que “O óbvio é o mais difícil de ser visto”.
Procure se reconectar com sua história, o amor-proprio também é uma construção, você pode ter escolhido “viver” outra vida porque não gosta da sua, ou não aprendeu a amar de fato sua trajetoria.
Mas eu tenho certeza que ela é de fato bonita, forte e respeitável.
Não desista de quem você está se tornando ou deseja se tornar, olhe pra você com amor. Quanto mais eu me conheço, mais eu entendo meus caminhos e decisões. Quanto mais me entendo mais me respeito. Quanto mais me respeito mais percebo que sou digna de todo amor, a começar do meu.
Se você desejar refazer sua lista agora, talvez ela mude um pouco, e tudo bem, você pode estar no topo ou não. Essa é sua lista, mais importante que isso, esta é sua vida!

Cuide dela com amor.

Indira Raicy

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OUTUBRO CHEGOU E PARA MIM ELE É TODINHO ROSA

          É o outubro rosa da prevenção ao câncer de mama. Com ele chega também muitas campanhas que podem prevenir e poupar a vida de alguém. Chega com esperança pra mim; esperança de que um dia as mulheres irão descobrir ainda no início a doença e poderão ser tratadas e curadas. Esperança que um dia o câncer fique sendo apenas um signo.

          Sei que para muitas pessoas nesse mês, o câncer não irá vir como esperança, pois através de uma campanha, a tia da escola pode descobrir que está com a doença e a partir daí seu mundo pode desabar. Por um instante ela pode acreditar que tudo acaba ali, mas não, tudo está começando. Devido a campanha, você descobriu ainda no início e logo logo você fará o tratamento e ele irá sumir.

          O câncer apareceu na minha vida quando eu era muito pequena e quando ele foi embora, levou com ele uma pessoa muito amada por mim. Queria que isso não tivesse acontecido, mas já que aconteceu, eu torço para que caso você descubra um, você tenha forças para lutar. Torço para que você não desista da vida e não queira ir junto com ele. Tenho certeza que muitas pessoas irão lutar bravamente com você contra ele.

          O câncer é talvez uma oportunidade de você dizer as pessoas que você as ama. De você fazer aquela viagem que tanto sonhou. De sair para dançar na chuva. E não falo isso com o intuito de: aproveite sua vida, pois você irá morrer por conta do câncer. Não. Falo isso no sentido de: o câncer veio para te ensinar a viver; viver como se não houvesse amanhã. Pois pode ser que não tenha mesmo. Nem para você que tem o câncer e nem para quem não tem.

Viva !

Que o outubro rosa, salve muitas vida. Vou ficar aqui na torcida.

Victória Cindy

Todos juntos pela extensão do setembro amarelo

          Última semana do setembro amarelo e o alerta é: não podemos deixar esse tema ser esquecido e vir à tona só daqui 1 ano novamente. Vi muitas pessoas publicando em suas redes sociais sobre o suicídio, muitas matérias na televisão e internet, escolas abordando o tema com os alunos e famílias lendo sobre para entender melhor. Avançamos diante desses fatos, mas não podemos deixar de avançar todo dia um pouquinho mais.

          Fico feliz por ver quantas pessoas ficaram sabendo sobre o suicídio através do setembro amarelo, entretanto, falta muito caminho pela frente. Falar de suicídio não é fácil e as pessoas correm desse tipo de conversa. É comum ouvirmos: “não vou falar, pois quanto mais fala, mais acontece e piora a situação”. Precisamos falar sim, falar todos os dias, ajudar todos os dias, estar disponível todos os dias, pois é disso que as pessoas que estão em sofrimento precisam.

           Pequenos gestos podem fazer uma enorme diferença na vida de quem tem pensado no suicídio como uma alternativa, famílias mais envolvidas com os filhos é um tipo de prevenção. E quando falo envolvidas é no sentido total da palavra, pois os filhos precisam ser escutados, ver diálogo em casa, interesse dos pais pelo seu dia/por sua vida e pelos seus sentimentos. Amigos, estejam presentes na vida daquele amigo que tem precisado de você, escute-o, ampare, ajude a procurar ajuda de profissionais.

          Espero que o setembro amarelo tenha sido apenas o início de uma mudança no sentido de falarmos sobre o tema, descobrir novas formas de prevenção e tratamento e com isso diminuirmos o índice de suicídio. Seria um sonho zerarmos ele, não é mesmo?! Precisamos continuar falando sobre isso e ajudando quem precisa. Se eu falar daqui sobre o suicídio, você falar daí e outras pessoas falarem de lá, nós vamos chegar muito longe e “é devagarinho que se chega lonjão”.

Victória Cindy

Por onde anda nossa empatia?

Explicando em linhas gerais a empatia quer dizer a capacidade de se colocar no lugar do outro, ou seja, projetar-se ao lugar da pessoa e compreender (por estar nesse lugar), seus sentimentos, emoções e sensações.

No setembro amarelo (mês de prevenção ao suicídio), falamos sobre a importância do apoio emocional, do ouvir sem julgamentos e da empatia. Falar sobre suicídio ainda é um tabu, e as pessoas tem receios de colocar o assunto sobre a mesa porque na maioria das vezes não sabemos como lidar com essas situações, temos preconceito com as pessoas que tentam essa “saída” e estamos enferrujados na nossa capacidade empática.

A nossa cabeça se enche de perguntas e suposições como: “Mas porque ele (a) fez isso”? “Não consigo entender, tinha uma vida tão boa” “Ele (a) parecia tão feliz” “Ele(a) sempre foi meio carente, deve ser isso” e dessa maneira vamos estabelecendo explicações para lidar como nossa própria angústia de não entender o lugar de dor do outro e não ter que enfrentar assuntos delicados que muitas vezes nos colocam de frente com nossa incapacidade humana.

Não estou procurando absolver ou condenar ninguém, mas apenas dizer que não conseguimos saber o que realmente se passa na cabeça de alguém, mas podemos tentar nos colocar no lugar e compreender o sofrimento exercitando a nossa empatia, validando as pessoas que passam por momentos difíceis (“Sei que dói mesmo, eu vejo sua dor”), e deixando de lado nossas próprias teorias a respeito do interior de cada um.

A pessoa que chega a tentativa de suicídio está no ápice de seu sofrimento, ela não vê outra saída, ela já esgotou as possibilidades (de acordo com a perspectiva dela) cabe a nós como rede de apoio mostrar uma possibilidade de caminho, um afeto curador, e uma compreensão genuína, não prometendo respostas, mas presença e acolhimento.

Não é fácil, isso vai demandar energia, esforço e paciência de ambos os lados, mas todo mundo merece ser cuidado e se você pode ser uma fonte desse cuidado porque não?

Por onde anda nossa empatia? Talvez ai com você: espalhe!

Indira Raicy

“Se tem vida, tem jeito”

– Karina Fukumitsu

Setembro Amarelo

          Tenho visto falar muito sobre o setembro amarelo. Quase todas as vezes que li algo ou escutei, no fim falava: procure um profissional. Meu questionamento é: será que os profissionais estão preparados para receber pacientes com ideação suicida?! Estudando para o grupo de estudos (O Bom de Saber Psi), li um artigo onde os pacientes relatavam o despreparo dos profissionais da saúde.

          Esse artigo foi feito com pacientes que tentaram o suicídio, mas não foi efetivado. Quando eles chegavam na urgência e emergência dos hospitais eram tratados com discriminação por parte dos profissionais de saúde. Escutavam: “você tinha que ter entrado na frente de um trem; remédio não mata; remédio cura”, “estou aqui te atendendo enquanto tem outros pacientes graves que precisam mais de mim do que você que quer tirar sua vida”, “está doendo essa lavagem? Mas na hora de tomar os remédios você não reclamou não né?”. Diante de tanta discriminação, a situação do paciente pode até piorar.

          Esse seria o momento do profissional da saúde acolher e encaminhar o paciente para profissionais especializados. Entretanto, isso não acontece. Precisamos conscientizar a população para tentar prevenir esse índice de suicídio que só aumenta, mas precisamos também capacitar os profissionais que irão receber esses pacientes. Ideação suicida, tentativas de suicídio, suicídio são temas sérios e jamais devem ser banalizados. Mesmo que você ache que aquela pessoa está falando em se matar apenas por chantagem, você precisa dar importância e pedir a ajuda de um profissional.

          Você não consegue ver o que se passa na cabeça dela e nem sentir o que ela sente e por isso não pode ter certeza se irá ou não se concretizar o suicídio. Acredito que os profissionais da saúde nem sempre sabem sobre esse tema, portanto, é hora dos profissionais da área Psi (psicólogos e psiquiatras) ensinarem o que sabem sobre o suicídio. Precisamos estar unidos por essa causa !!

Psicóloga Victória Cindy